Solavanco distorcido
Foi um solavanco no trânsito inexistente da madrugada que arrepiou o figurino, a liga roxa por escassos momentos à vista, no banco de trás que ambos partilhavam em segredo mal guardado: os dois repararam nisso - poderia ter sido um acidente numa actuação, algo que os profissionais reconheceriam naturalmente; um ficou estarrecendo em sorrindo, o outro desviou-se olhando pela janela a entoar as primeiras notas de uma música enraizada. Depois do que se seguiu, trocariam de papéis ad aeternum. Tratar-se-ia de uma objectificação por processo de veneração parcial - isto explicou, posteriormente, a psicologia do desejo falho ou fictício. Aquele à janela ia lavado e em vāo de novo se lavou, o do sorriso acumulando suores frios. O andar da vergonha fez-se de colchetas de plástico partidas sob as luzes do autocarro pelo raiar do dia afora, arrepio tornado choro compulsivo por vomitar. Antes dirão da indisponibilidade emocional nesse assim derradeiro e triste dueto.



Comments
Post a Comment